terça-feira, 24 de julho de 2012

efeito borboleta

.. de alguma forma também me despedi da barraca de chico, me despedi do mate, me despedi do cigarro, me despedi da água de coco... de certa forma me despedi daquele por do sol em Jericoacoara, das laranjas, dos caminhos estreitos e passos elaborados dos sacos plásticos no seu balé pelas ruas anônimas da vida.
de alguma forma, me despedi dos cavalos, do sítio, dos domingos..
.. eu não queria voltar. eu não queria entrar naquele ônibus. nem naquele apartamento. eu sabia que era um caminho sem volta. como todos os nossos caminhos são.. caminhos sem volta.

Na dor, eu cato palavras. tento calar em  mim essa ânsia, essa fome de traduções. de significações. de compreensões.
Cato palavras que me traduzam, delatando, denunciando-me-nós.
e a minha ânsia devora cada parte do meu estômago, e essa ânsia de chegar ao final de cada canto de minha consciência, me deixa cega de só ver tudo à partir do meu coração.
como um terceiro olho que se desvenda, se revela
cato palavras, palavras que se encaixam feito lego em cada sensação.
se pudesse enxugava o silêncio que grita em mim..
cessaria essa minha ânsia de gritar silêncios. essa ventania soprando aqui, esses relâmpagos da mente, curto-circuitos, que espero mesmo que sejam curtos.

Seus braços, travesseiros plácidos que acalentam toda dor
teus abraços, me tragam do mundo, anestesiam.
teu corpo, um universo parelelo.

preciso de uma injeção de adrenalina no peito, preciso enfrentar meus medos.

"Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube
e digo da palavra: não digo (não posso ainda acreditar na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto."

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